Condomínio
criação de Nuno Nunes, Sofia Dias e Tiago Sarmento
criação de Nuno Nunes, Sofia Dias e Tiago Sarmento
Um espetáculo de teatro comunitário sobre civismo e civilização, sobre a sociedade e os indivíduos, feito do encontro de cidadãos comuns e actores profissionais (não menos cidadãos).
A aparente austeridade funcional, balofa e monótona, duma reunião de condomínio encobre uma variedade de relações e de acontecimentos de natureza intrinsecamente teatral que este projecto propõe explorar. A praça – o "Ágora" – é aqui um lugar interior em que a conciliação dos interesses colectivo e individual ecoam amplamente como um dos mais antigos e difíceis conflitos que moldam as sociedades humanas.
com a comunidade de residentes de Odivelas:
Ana Teresa Tomé, Armando Miranda, Carolina Oliveira, Erickson Carvalho, Gyll Cymar, Helena Falcão, Inês Nóvoas, Isabel Moura Pinto, Isabel Nunes, Nina Pereira, Nuno Gomes, Paula Gonçalves, Paulo Ferreira.
Equipa do Centro Cultural Malaposta_Minutos Redondos:
Direção artística: Joana Ferreira, Manuela Jorge; Produção: Inês Marques; Apoio técnico (luz, som, cenografia): André Souzinha, Paulo Gomes; Comunicação: Mónica Jardim.
com a comunidade de residentes de Palmela:
Cristina Sampaio, Gil Pinto, Helena Varela, Isaura Pinto, Luís Duarte, Santiago Pérez, Virgínia de Sá, e a participação especial do grupo das “Avozinhas” com Amélia Gaião, Cristina Chapa, Deolinda Marques e Lúcia Fruta.
Equipa do FIAR ’22:
Alexandre Nobre, Raquel Belchior, Sebastião Vítor e Marisa Tomás.
com a comunidade de residentes de Lisboa:
Ana Lúcia Henriques, Anselmo Cruz, Ariana Martins, Fátima Barreto, Lígia Churro, Rosa Gomes, Sónia Castro, Tatiana Lemos, e a participação especial de Mauro Wha, Diogo Costa, Gérson Gomes e Santiago Santos da Associação de moradores do PER 11.
Equipa do Festival TODOS:
Miguel Abreu, João Monteiro, Giovanna Gosio, Telma Antunes.
Dramaturgia, Encenação
e Espaço Cénico Nuno Nunes
Criação e Interpretação Nuno Nunes
Sofia Dias
Tiago Sarmento
Execução de cenografia
e figurinos Ana Limpinho
Arranjos musicais Alexandre Bernardo
Fotografias de cena Vitorino Coragem, Rosa Reis,
Pedro Lacerda, Eduardo Perez Sanchez,
Registos vídeo Frandu Almeida (Bodhgaya Films), Pedro Dias,
(registo TODOS + registo FITEI)
Ass. cenografia (Malaposta): Hugo Limpinho (Malaposta)
Assistência de Produção Diana Almeida
Produção Propositário Azul
Co-produção Festival TODOS – Caminhada de Culturas
FITEI – Festival Internacional de Teatro de
Expressão Ibérica
Centro Cultural Malaposta
FIAR – Festival Internacional de Artes de Rua
Apoio CNKA – Centro Nuno Krus Abecasis, Associção de Moradores das Calvanas, Associação de Moradores do PER 11, GEBALIS – Câmara Municipal de Lisboa, EB 2/3 Hermenegildo Capelo de Palmela, Câmara Municipal de Palmela, Escola 2/3 Hermenegildo Capelo de Palmela, CAL – Primeiros Sintomas, Junta de Freguesia de Odivelas, Casa da Juventude de Odivelas.
Agradecimentos António Osvaldo, Associação Esquerda Alta, Associação Tira-me da Rua, Biblioteca de Marvila, Diana Especial, Eduardo Perez Sanchez, Hugo Ferreira (Ideias Simples), José Cândido, JSVC Decor, Patrícia Raposo, Pedro Alves, Pedro Lacerda, Rafael Lacerda, Rui Francisco.
As consequências podem ser sérias e provocar o riso ou a lágrima, a perturbação das convicções mais enraizadas, religiosas ou políticas, ideológicas ou místicas. O divertimento teatral surge dum amargo de boca e encontra reflexos na comédia negra, no thriller psicológico, no romance de faca e alguidar ou telenovelístico, e na tragédia.
Em “Condomínio” as pessoas unem-se em torno de ideias construtivas e zelam pelo bem comum. Há a lei civil e a lei do improviso, aquela do “desenrasca-me lá isso”. Em “Condomínio” fazem-se “jeitinhos”, atendem-se a prioridades e a “forças de maior”. Fazem-se discursos edificantes e confissões tocantes de desapego pelo recato. Preparam-se lanchinhos, acomdam-se os vizinhos. Falta sempre mais um banquinho. À reunião do condomínio nunca ninguém quer ir mas todos zelam pela democracia.
Em “Condomínio” passam-se procurações, contam-se votos, assinam-se recibos, apresentam-se orçamentos, fazem-se balanços de contas, elege-se a administração, escrevem-se as actas. Algumas no momento dos acontecimentos, em directo. Noutros casos, tiram-se notas para as redigirem depois, e enviá-las por email para aprovação, para propor a alteração ou a correção (dos factos, da ordem dos actos) e assinar na próxima reunião. A cantora de ópera reúne-se com o agricultor, o técnico de contas com o reformado alcoolizado, a dona de casa esmerada com o político de cátedra, o oportunista da especulação imobiliária com a eco-activista, o estudante com o vendedor de seguros... são infinitas as possibilidades.
MALAPOSTA 2022
FIAR 2022
CONDOMÍNIO chega ao lugar onde tudo começou. Foi uma conversa retrospectiva sobre os passos que já havíamos dado juntos (“Os Olhos da Terra” (2007), “A Rulote” (2010, 2012) e sobre o trilho que indicavam. A Lola (Dolores de Matos) mostrava-me a sua rua e eu concordava: "Sim! tem de ser aqui." Nova Palmela... o nome tinha já em si o motivo. Imaginámos a reunião de todos os residentes, o cortar a rua e fazer dela a praça onde cada um, representando-se a si próprio, era porta-voz dum devir colectivo, social e poético, sonhado, reclamado, exigido! Semeámos a ideia um no outro e aguardámos. Depois veio aquela finta que arranca as pessoas às pessoas, mas que não resseca o que tem vida própria. E chegámos aqui, bem ligados a esse início e que faz deste momento uma celebração ainda maior: pessoas que se juntam no plano duma existência frágil, feita dessa dificuldade primordial de conciliar as necessidades individuais com o bem comum; a vontade de reflectir sobre a condição do tempo que é o nosso e que se lê contando a história do outro, ou melhor, contando-nos a nós mesmos na história do outro. Bem vindos à vossa Ágora.
TODOS 2022
FITEI 2023